sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Pat Metheny - "Trio 99-00"



Pat Metheny 
"Trio 99-00" 
Warner Bros Records 
2000 

Durante a gravação deste álbum Pat Metheny apenas esteve com os seus cúmplices Larry Granadier e Bill Stewart algumas horas por dia no Estúdio, tocando sempre com uma certa liberdade de estilos, aliás bem patente em todo este magnifico trabalho discográfico, embora esse formato trio jazz com que iniciou a sua carreia renasça aqui de uma forma bem brilhante deixando o ouvinte deste álbum fascinado pelos caminhos que lhe são apresentados, musicalmente falando. Recorde-se que só ao fim de algumas semanas após a gravação dos temas Pat Metheny os decidiu escutar, iniciando o respectivo trabalho de produção. 

Este álbum denominado “99 – 00” surge assim como uma espécie de oásis no interior do seu trabalho com o célebre Pat Metheny Group, que tem atravessado as décadas com uma qualidade sonora sempre surpreendente, já que o guitarrista retorna aqui ao célebre formato de trio de jazz com que iniciou a sua carreira a solo, bastando recordar o seu belo trabalho de estreia na ECM Records com “Bright Size Life”, assim como dois outros formatos em trio, que são inesquecíveis, refiro-me a “Rejoicing” e Questions and Answers”. Desta feita em “99 – 00” Pat Metheny faz mais uma vez uma releitura bem pessoal dos famigerados “Standards”, assim como alguns temas assinados em nome próprio, revelando-nos a sua genialidade como compositor, construindo melodias que nos conquistam de imediato, assim como introduzindo esse belo “swing”, tão característico do jazz. 

Ao longo das faixas deste álbum descobrimos uma enorme cumplicidade existente entre eles, fruto de um longo trabalho, sendo sempre de referir a forma perfeita como o guitarrista troca a guitarra acústica pela eléctrica, mantendo sempre uma excelente performance no equilíbrio mais-que-perfeito deste disco, onde todas as correntes musicais navegam tranquilamente, desde o conhecido tema de John Coltrane “Giant Steps”, até ao “country & western” de “The Sun in Montreal”, terminando este magnifico álbum do Pat Metheny Trio com o famoso tema “Travels”, que de imediato nos convida a mergulhar numa nova audição deste “99 – 00”, para descobrirmos novos sabores que, numa primeira viagem, possam ter passados despercebidos ao ouvinte. Estamos assim perante um dos trabalhos mais memoráveis deste guitarrista extraordinário chamado Pat Metheny.

Brian Eno - "Small Craft on a Milk Sea"


Brian Eno 
"Small Craft on a Milk Sea" 
Warp Records 
2010

Quando o cineasta neo-zelandês Peter Jackson decidiu realizar a película “Lovely Bones” / “Visto do Céu”, que ofereceu a Stanley Tucci um dos seus mais difíceis e extraordinários desempenhos da sua carreira, surgindo quase irreconhecível na película, ao mesmo tempo que nos dava a conhecer o enorme talento dessa jovem actriz chamada Saoirse Ronan, decidiu entregar a banda sonora do filme a Brian Eno que, de imediato, iniciou o respectivo trabalho de composição contando com a colaboração do guitarrista Leo Abrahams, que tinha participado com ele no tour de promoção do álbum “Everyting That Happens Will Happen Today” assinado a duas mãos com David Byrne, o ex-lider dos Talking Heads. “. No entanto alguns dos temas compostos por Brian Eno para “Lovely Bones” não foram incluídos na banda sonora por decisão do cineasta, que optou por juntar outros temas anteriormente gravados pelo músico. 

Entretanto Brian Eno deixa a editora All Saints Records e assina contrato discográfico com uma nova editora, a “Wharp” que tem optado no seu catálogo por divulgar muita da música electrónica que tem surgido no século XXI, surgindo assim Brian Eno como uma das mais valias da editora. 
“Small Craft on a Milk Sea” irá ser o álbum de estreia de Brian Eno na “Wharp” contando com a colaboração de Leo Abrahams e Jon Hopkins e decide gravar a totalidade dos temas que tinha composto para “Lovely Bones”, juntando-se a estes três músicos Jez Wiles, que irá surgir nas faixas 4,5,6 e 8 de “Small Craft on a Milk Sea”, a deixar a sua sonoridade neste magnifico e surpreendente trabalho de Brian Eno, que aqui regressa a esse Olimpo Musical a que sempre pertenceu. 

Ao escutarmos “Small Craft on a Milk Sea” sentimo-nos a navegar de novo nesse universo musical que Brian Eno foi desenvolvendo ao longo dos anos oitenta, com os célebres registos da série genericamente intitulada “Music for Films”, mas com o rigor e a textura de trabalhos como “Apollo” ou “On Land / Ambient 4” em que é possível acompanhar a interligação entre os diversos temas, oferecendo uma continuidade bem homogénea, que nos leva a sentir essa viagem de sonho, pesadelo e eternidade, descobrindo mais uma vez a genialidade deste músico de eleição que não pára de nos surpreender. “Small Craft on a Milk Sea” encerra com chave de ouro a contribuição musical de Brian Eno para a primeira década do século XXI, um trabalho discográfico que é urgente não deixar cair no esquecimento.

Rádio - "Clube à Gô-Gô"



"Clube à Gô-Gô"

Quando o Rádio Clube Português se tornou a Radio Comercial, um dos programas mais aliciantes do horário nocturno do famoso FM (Frequência Modulada), que escutava com enorme prazer, era o “Clube à Gô-Gô”, emitido entre as 22h00 e as 24h00, onde todos os géneros musicais conviviam na mais ampla liberdade, sem choques ou intempéries. 

Fernando Quinas e João David Nunes são duas das vozes que me recordo de ouvir neste espaço radiofónico, mas certamente haveria outras. O que se passava nesta emissão era o bom gosto e a criatividade musical na condução de uma emissão de rádio e recordo que o indicativo era o tema “Kometenmelodie 2” dos Kraftwerk, pertencente ao álbum “Autobhan”. Por aqui tínhamos rock, mas também Nat King Cole, a folk e a country, mas também Tony Bennett, o jazz, mas também Edgar Froese e Wim Mertens. 

Guardo especialmente na memória o dia em que escutei pela primeira vez o tema “Aqua” de Edgar Froese, líder dos Tangerine Dream, a solo, tendo ficado profundamente fascinado com o que escutava, mais tarde iria comprar o disco, que ainda se escuta aqui em casa. Outro momento importante na formação do meu gosto musical deu-se quando neste programa descobri o músico e compositor belga Wim Mertens. 

Tudo se passava na mais perfeita harmonia e nunca sabíamos o que iríamos encontrar em cada emissão nocturna do “Clube à Gô-Gô”, por ali passavam as mais belas aventuras musicais!

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Rádio - "Em Órbita"


"Em Órbita"

Na segunda metade da década de 60 (1/4/1965) nasceu o programa “Em Órbita” no Rádio Clube Português, realizado por Jorge Gil e Pedro Soares Albergaria, tendo-se tornado de imediato uma referência, especialmente pelo facto de apenas difundir a denominada Música Popular Anglo/Americana. E só em Agosto de 1967 o “Em Órbita” passou um tema cantado em português da responsabilidade do “Quarteto 1111”, intitulado “A Lenda de El Rei D.Sebastião”, que na época foi um enorme êxito, sendo o principal rosto/voz da emissão o Cândido Mota, embora Pedro Castelo e João David Nunes tenham também dado voz ao “Em Órbita”.

Tenho de confessar que, infelizmente, nunca escutei o “Em Órbita” deste período, conheci as histórias desta aventura radiofónica, algum tempo depois de o programa ter terminado, já quando vivia agarrado ao FM e um dia escutei a voz do Cândido Mota a anunciar que o “Em Órbita” ía regressar entre as 19h e as 21h e assim aconteceu. Mas desta vez Jorge Gil tinha outras intenções, em virtude da Música Popular Anglo/Americana estar já devidamente ancorada no quotidiano e assim as novas emissões do “Em Órbita” deram a conhecer a um vasto auditório a Música Antiga, tocada em instrumentos da época.

O “Em Órbita” nos primeiros anos tinha dois indicativos diferentes para cada uma das horas da emissão, ambos retirados da banda sonora do filme de Stanley Kubrick “A Laranja Mecânica” / “A Clockwork Orange”, da autoria de Walter Carlos, mais tarde Wendy Carlos (o compositor mudou de sexo e tornou-se senhora) e depois vinha a Música Antiga, sempre acompanhada de magníficos textos lidos por Cândido Mota e escritos por Jorge Gil, que enquadravam a música na sua época e nos falavam também dos seus compositores, como nos davam a conhecer um novo universo de instrumentistas que se estavam a dedicar a este género musical, então a nascer no interior da denominada música clássica e onde pontificavam três nomes que rapidamente fixei e passei a admirar: Gustav Leonard, Nikolaus Harnoncourt, Ton Kopmann.

Tornei-me então um ouvinte de todos os programas, que na época tinham o apoio comercial da “Sadomar” e como a segunda hora caía mesmo em cima do jantar, lá em casa, a minha sábia avó baixava o som da televisão, enquanto eu jantava a correr a ouvir o “Em Órbita” e dez minutos depois regressava ao quarto, para continuar a escutar a emissão.

Mais tarde o programa passou a ter só uma hora de emissão, entre as 19h e as 20h, sendo o indicativo um trecho de uma Missa de Schubert e durante largo tempo aos sábados foram transmitidas as Missas de Bach, esse enorme compositor que nos deixou uma obra imortal e uma legião de filhos, que se dedicaram à mesma Arte Musical do pai. Nesses sábados, após terminada a cantata de J.S.Bach, por vezes tínhamos M.S. Lourenço dizendo uns textos e uns temas dos Beatles.

Devo ao “Em Órbita” a minha paixão pela Musica Barroca e ainda me recordo da alegria que tive quando comprei o primeiro álbum da editora “Das Altwerk Telefunken”, com a “Water Dance” do Haendel, na loja do Valentim de Carvalho, na Rua Nova do Almada. Depois a rádio mudou ou seja formatou-se e as “playlist” ditaram a lei e o “Em Órbita” passou a fazer parte das minhas belas memórias da rádio e confesso que tenho enormes saudades deste programa de rádio dedicado à denominada música antiga!

Nota: O “Em Órbita” ainda promoveu concertos de Música Barroca, mas infelizmente nunca fui a nenhum e teve posteriormente emissões na Antena 2 às sextas-feiras entre as 23h e a 1h, até que terminou as suas emissões.

David Bowie - "All Saints" - (Collected Instrumentals 1977 - 1999)


David Bowie 
"All Saints" - (Collected Instrumentals 1977 - 1999) 
EMI Records
2001

Quando a notícia da partida de David Bowie chegou a 10 de Janeiro desse ano de 2016, estávamos todos maravilhados a descobrir o seu último trabalho discográfico intitulado “Blackstar” e a ver e rever o fabulosos vídeo-clip de que era protagonista no tema “Lazarus”, retirado daquele iria ser o seu derradeiro trabalho. O mundo ficou mais pobre, com a sua partida física do Planeta Azul, mas a sua Música e a sua Arte permanecem bem vivas entre todos nós. 

Hoje decidimos recordar um dos trabalho mais inovadores da sua carreira, que embora seja uma colectânea de temas gravados num período temporal que vai de 1977 a 1999, surge como uma obra homogénea e bem estruturada, eliminando por completo as características que definem uma colectânea, já que o que temos aqui é a reunião do material instrumental produzido durante o denominado período de Berlin, em que David Bowie e Brian Eno criaram dois dos álbuns mais marcantes da década, referimo-nos a “Low” e “Heroes”, cujos lados B do vinil eram totalmente instrumentais tendo até, aquando da sua passagem para CD, os dois músicos acrescentado mais algumas faixas que não tinham sido incluídas quando a obra viu a luz do dia. 

Aos temas do período de Berlin, David Bowie, que esteve sempre à frente do seu tempo musicalmente falando, incluiu em “All Saints” duas faixas da banda sonora de “Buddha of Suburbia” / “O Buda dos Subúrbios”, terminando “All Saints” – (Collected Instrumentals) com o tema “Some Are”, revisto pelo músico minimalista Philip Glass. Recorde-se que o compositor norte-americano quis prestar a sua homenagem a David Bowie e Brian Eno, criando a partir das suas composições a “Low Symphony” e “Heroes Symphony”, tendo até Twyla Tharp criado uma coreografia fabulosa a partir de “Heroes Symphony”, que veio a Portugal, ao CCB, através da sua Companhia de Ballet. 

Mas “All Saints” – (Collected Instrumentals 1977 – 1999), encerra também duas histórias no seu interior, uma tem a ver como nasceu a edição desta obra-prima da discografia de David Bowie, que bem merece ser (re)descoberta:  No Natal de 1999, David Bowie decide criar este álbum para oferecer ao seu núcleo de amigos mais próximos, terminando por os surpreender, ao mesmo tempo que nos círculos musicais se comentava a obra intemporal que se revelava “All Saints” e dois anos depois em 2001 a editora de David Bowie com o seu próprio consentimento lança no mercado este magnifico trabalho, que recomendamos vivamente. 

A outra história que “All Saints” possui no seu interior tem a ver com a forma como os temas instrumentais nasceram em Berlin, nessa época em que a cidade ainda tinha o muro a dividir as duas Alemanhas e do lado ocidental do muro a vanguarda dava cartas em todas as áreas artísticas, revelando-se um verdadeiro oásis que atraia um universo enorme de pessoas, que encontrava naquele território uma verdadeira lufada de ar fresco e assim David Bowie decidiu também ele partir para Berlin. Ora precisamente nesse momento Brian Eno, encontrava-se a trabalhar com o grupo Harmonia, no Estúdio de Moebius, Rodelius e Rother, situado na Floresta Negra e quando David Bowie lhe telefonou a perguntar se ele não queria trabalhar com ele em Berlin, Brian Eno decidiu partir para a cidade dividida e desse encontro iria nascer a célebre trilogia de Berlin, constituída pelos álbuns “Low”, Heroes” e “Lodge”. 

Redescobrir a magia desse período e a face menos conhecida de compositor de David Bowie é o que nos proporciona este magnifico álbum intitulado “All Saints” – (Collected Instrumentals – 1977 – 1999), em que assistimos ao casamento perfeito entre a música pop com a música electrónica apadrinhada pela avant-garde alemã, tendo até Bowie e Eno dedicado o tema “V-2 Schneider” aos Kraftwerk. “All Saints”, que merece não cair no esquecimento,  revela-se, nos dias de hoje, uma obra musical  intemporal, que testemunha a genialidade de David Bowie, que permanece bem viva no universo musical. 

Rádio - "Enquanto For Bom Dia!"



Enquanto For Bom Dia!” 

Pedro Castelo foi uma das vozes do célebre programa “Em Órbita” no seu primeiro ano de existência, mas seria no início dos anos setenta, através do programa “Enquanto For Bom Dia!”, emitido na Rádio Renascença, que o descobri, indo a emissão para o ar a partir das 10h até ao meio-dia e tendo na sua agradável companhia a Dora Maria, fazendo uma dupla que nos proporcionava uma excelente selecção musical, que nos captava a atenção ao mesmo tempo que muitas vezes nos fazia sorrir, tal era a empatia que era estabelecida com o ouvinte, recordo-me até de quando chegávamos ao liceu, as aulas eram de tarde, de falarmos do programa. 

Embora fosse possível escutar todo o género de música no “Enquanto For Bom Dia”, dentro da esfera a que poderemos chamar o bom gosto, recordo-me muito em especial deste programa, porque foi nele que descobri a música francesa e principalmente esse nome incontornável chamado Leo Ferré que, tal como com Brel, me levou a adquirir os dois primeiros LPs oriundos de terras de França, em plena idade do rock: “La Solitude” e “Ne Me Quitte Pas”. Curiosamente neste tempo em que o universo vive debaixo dessa doutrina do politicamente correcto, tive conhecimento através de um excelente programa dedicado a Jacques Brel, da história da canção “Ne Me Quitte Pas” e a quem ela foi dedicada, algo que me deixou um pouco indiferente, porque o que me interessa é que se trata de uma das mais belas canções de amor. 

Por ter sido no “Enquanto For Bom Dia!” que descobri, em doses certas, a melhor música francesa Jean Ferrat, Leo Ferré, Maxime Le Forestier, Jacques Brel, Herbert Pagani, Serge Reggiani, George Moustaki e George Brassens, aqui deixo o meu sincero obrigado.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Klaus Schulze - "2001"


Klaus Schulze
"2001"
Brain
1991

Em 1991 a editora alemã Brain, que deu a conhecer ao universo a a criatividade de Klaus Schulze, lançou esta colectânea intitulada genericamente "2001", oferecendo ao ouvinte uma viagem pela música deste genial compositor, desde o seu primeiro álbum a solo "Irrlicht", até chegarmos a "Mediterranean Pads". Estamos assim perante 15 faixas curtas ou excertos, se preferirem, que nos oferecem um belo retrato do seu universo musical, balizado entre o período de 1972 a 1990.

Rádio: "5 Minutos de Jazz"


"5 Minutos de Jazz" 

Foi com o programa de rádio ,“5 Minutos de Jazz” de José Duarte, que comecei a escutar jazz, durante cinco minutos, mas que me ofereceu nomes e títulos que mais tarde iria procurar. Tínhamos dobrado a década de 60 e mal sabia eu que os anos 70 se iriam revelar uma época inesquecível e um rádio com gira-discos e a célebre FM (Frequência Modulada) deu entrada lá em casa. De imediato passei as noites a escutar essa maravilhosa máquina que me oferecia música de forma infinita e rapidamente me esqueci dessa Onda Média que debitava o meu pequeno transístor de bolso. 

Era na Rádio Renascença/FM, no programa “23ªHora”, que se encontrava na época ancorado os “5 Minutos de Jazz” e seria quase sempre quando se atingia metade da emissão, conduzida pelo José Corte-Real, que surgia o saxofone de Lou Donaldson a tocar o tema “Lou’s Blues” a abrir o programa, que ainda tinha espaço para uma publicidade à cerveja Cuca, se a memória não me trai, e depois surgia a voz convidativa de José Duarte, “um, dois, três, quatro… cinco minutos de jazz”, que rapidamente nos preparava em breves palavras, mas repletas de significado e informação, para o tema que iríamos escutar e assim entrávamos nesse universo sem fronteiras denominado jazz!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Magna Carta - “Martin’s Café”


Magna Carta 
“Martin’s Café” 
Vertigo 
1977 

O álbum “Martin’s Café” dos Magna Carta foi gravado em 1974, mas só irá ser lançado no mercado em 1977 com o selo da editora Vertigo e após o nascimento do formato “compact-disc”, irá ser editado em conjunto, com o álbum “Lord of The Ages”, o registo dicográfico mais famosos do grupo,  pela editora Mercury Records em 1999. Poderá escutar aqui o tema “Roll On” deste álbum dos Magna Carta. 

Rádio - "Página 1"


"Página 1"

O “Página 1” era realizado pelo José Manuel Nunes e o Luís Filipe Martins, surgindo na Radio Renascença no FM, após o principal e excelente serviço noticioso das 19 horas, ou seja a partir das 19h30 até às 21h00 tínhamos da melhor música, com muitas das novidades vindas directamente de Londres, para além da música portuguesa com José Afonso, Sérgio Godinho e José Mário Branco, entre outros.

Mas também não me esqueço que seria talvez o programa de rádio mais atingido pela censura, que na época tinha uma lista de canções cujos dirigentes deste belo país à beira-mar plantado não apreciavam nada e assim, acontecia-me estar à espera da emissão, pois gravava de lá umas “coisas” para um velho gravador, utilizando um pequeno microfone, que empunhava junto da coluna de som do rádio/gira-discos e surgia-me música clássica durante o espaço da emissão e confessava com os meus botões de adolescente, lá os tramaram outra vez. Quando o “Venham Mais Cinco” do José Afonso viu a luz do dia (que continuo a considerar o melhor álbum da Música Popular Portuguesa), gravei quase todas as canções do álbum através do “Página 1”.

Na época, a música que por ali se ouvia era um consolo para a nossa alma, acreditássemos ou não no Inferno e no Paraíso, porque Paraíso mesmo foi quando anunciaram que iriam passar na integra o “Tubular Bells” do Mike Oldfield, que andava nas bocas do mundo e assim um dia tivemos o lado A do álbum e no dia seguinte foi a vez do lado B, que gravei numa cassete BASF de crómio em vez das de ferro, para aquilo durar e confesso que durou muito tempo. Antes tinha uma verdadeira manta de retalhos do Tubular Bells, já que o habitual final do lado A foi o primeiro a ser gravado, já que era sempre o divulgado na rádio, depois numa emissão a seguir ao almoço, já não me lembro do nome do programa, o Pedro Castelo divertiu-se a passar do lado B do disco, a parte com o “In the Cave”, com toda aquela gritaria que se escuta no álbum e depois o António Sérgio, um domingo de manhã, passou os 8 minutos iniciais do “Tubular Bells”, até que chegou esse momento mágico em que o “Página 1” me ofereceu a oportunidade de ter o disco de fio a pavio.

A aventura de escutar rádio nesses tempos, e confesso que não sou nada saudosista, era profundamente gratificante e só para terminar, tenho que vos contar que o famoso indicativo do “Página Um” foi criado pelos “Pop Five Music Inc”, para o programa de rádio.